Existem poucas situações na vida tão desestruturadoras do psiquismo quanto a rejeição, às vezes representada pelo afastamento, pelo abandono. Digo às vezes porque uma criança muito nova não tem condições de interpretar esses fatos como o fazem uma criança de mais idade ou um adulto, e a sua ocorrência produz nas mesmas um indefinido e intenso sentimento de insegurança e perigo, já que criancinhas interpretam, sentem, a ausência de pessoas, o estarem sozinhas como um risco de morte, o que pode trazer conseqüências desastrosas para a estruturação da personalidade, assunto que merece um artigo à parte
Coisa muito diferente ocorre em crianças de maior idade, que, já possuindo pensamento abstrato, mesmo que, a princÃpio e em princÃpio, incipiente, são capazes de, em maior ou menor grau, fazer juÃzos de valor. Neste caso, uma criança, ao não receber algo que deseja, não só fica com uma necessidade insatisfeita, mas, o que é pior, assume uma atitude avaliativa que a faz considerar-se rejeitada, não querida, passando a sentir raiva ou tristeza, aquela gerando agressão, esta, depressão, quando não ocorre a alternância desses dois estados emocionais.
Falando em rejeição e raiva vem-me à mente a teoria segundo a qual a raiva que sentimos ou se volta contra o mundo em forma de agressão, que, em caso extremo, leva a homicÃdios; ou contra quem a sente, na forma de depressão, que, em caso extremo, leva a suicÃdios.
Talvez nem fosse necessário falar todas essas coisas, desde que sabemos que toda rejeição é causa do desenvolvimento de uma auto-estima baixa, e a que uma baixa auto-estima pode dar lugar é de todos conhecido: timidez, incapacidade de atingir metas, sentimento de incapacidade, tristeza, insatisfação com a vida, enfim, uma gama infinita de sentimentos negativos que tira toda beleza de que se constitui a vida.
É Psiquiatra.